terça-feira, 4 de outubro de 2016

ALIANÇA VERDADEIRA

Paz do Senhor e bom dia,

Ministramos no domingo passado último, dia 18 de setembro de 2016, na sede da Igreja Pentecostal Unidos por Amor a Cristo, um texto baseado em 1 Samuel 18, 1 – 4:

E sucedeu que, acabando ele de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou, como à sua própria alma. E Saul naquele dia o tomou, e não lhe permitiu que voltasse para casa de seu pai. E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma. E Jônatas se despojou da capa que trazia sobre si, e a deu a Davi, como também as suas vestes, até a sua espada, e o seu arco, e o seu cinto”.

Na oportunidade, relevamos a forma respeitosa como Jônatas se despojou de algumas indumentárias de sua propriedade e as deu ao amigo Davi. Mas antes de qualquer coisa, o que significa a expressão “despojar-se”: “Privar-se de algo, largar, privar uma pessoa de alguma coisa que lhe pertence (por meios ilícitos/ ilegais)”.
Na verdade, o que vemos é uma aliança firmada entre dois amigos que, através da atitude de Jônatas, filho de Saul, a importância e a veracidade do pacto de amizade e proteção estabelecido entre eles.
A Bíblia nos relata que Jônatas despojou-se de algumas peças de seu vestuário e cada peça ofertada por ele, tinha um significado, vejamos:
Capa - Autoridade;Armadura - Proteção;Espada - Arma de ataque;Arco - Arma de ataque para longo alcance;Cinto – Alicerce.
Naquela época, quando alguém fazia uma aliança era algo de extrema valia e grande responsabilidade. Esta aliança podia ser de amizade ou de negócio de venda ou compra. Em Jeremias 32, 7 – 12, diz:
Eis que Hanameel, filho de Salum, teu tio, virá a ti dizendo: Compra para ti a minha herdade que está em Anatote, pois tens o direito de resgate para comprá-la. Veio, pois, a mim Hanameel, filho de meu tio, segundo a palavra do Senhor, ao pátio da guarda, e me disse: Compra agora a minha herdade que está em Anatote, na terra de Benjamim; porque teu é o direito de herança, e tens o resgate; compra-a para ti. Então entendi que isto era a palavra do Senhor. Comprei, pois, a herdade de Hanameel, filho de meu tio, a qual está em Anatote; e pesei-lhe o dinheiro, dezessete siclos de prata. E assinei a escritura, e selei-a, e fiz confirmar por testemunhas; e pesei-lhe o dinheiro numa balança. E tomei a escritura da compra, selada segundo a lei e os estatutos, e a cópia aberta. E dei a escritura da compra a Baruque, filho de Nerias, filho de Maaséias, na presença de Hanameel, filho de meu tio e na presença das testemunhas, que subscreveram a escritura da compra, e na presença de todos os judeus que se assentavam no pátio da guarda.


Apesar de ser uma visão de Deus a Jeremias, nos mostra o quanto uma aliança era importante. No caso acima, relata uma compra e venda de um terreno de herança e o que nos chama a atenção é a forma que o negócio foi feito e como a palavra dos envolvidos, sejam como testemunhas ou como participantes diretos eram valiosas: “...E tomei a escritura da compra, selada segundo a lei e os estatutos, e a cópia aberta.” Segundo alguns estudiosos dizem que escrituras tais como as relatadas nesta passagem bíblicas foram encontradas enterradas em vasos e foram cumpridas conforme o que estava escrito naquela documentação. Isto demonstra como era valoroso uma aliança feita entre homens daquela época. A palavra de um homem valia mais que o próprio dinheiro e ninguém poderia questionar.
Em Gênesis 15, 5 – 18, uma aliança entre Deus e Abraão é firmada:
Então o levou fora, e disse: Olha agora para os céus, e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua descendência. E creu ele no Senhor, e imputou-lhe isto por justiça. Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor, que te tirei de Ur dos caldeus, para dar-te a ti esta terra, para herdá-la. E disse ele: Senhor DEUS, como saberei que hei de herdá-la? E disse-lhe: Toma-me uma bezerra de três anos, e uma cabra de três anos, e um carneiro de três anos, uma rola e um pombinho. E trouxe-lhe todos estes, e partiu-os pelo meio, e pôs cada parte deles em frente da outra; mas as aves não partiu. E as aves desciam sobre os cadáveres; Abrão, porém, as enxotava. E pondo-se o sol, um profundo sono caiu sobre Abrão; e eis que grande espanto e grande escuridão caiu sobre ele. Então disse a Abrão: Saibas, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos, Mas também eu julgarei a nação, à qual ela tem de servir, e depois sairá com grande riqueza. E tu irás a teus pais em paz; em boa velhice serás sepultado. E a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia. E sucedeu que, posto o sol, houve escuridão, e eis um forno de fumaça, e uma tocha de fogo, que passou por aquelas metades. Naquele mesmo dia fez o Senhor uma aliança com Abrão, dizendo: « tua descendência tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates;”


Neste caso, explicam alguns estudiosos, que animais eram cortados ao meio e arrumados de frente uma banda para outra. Os participantes da aliança caminhavam entre e ao redor das partes dos animais que foram cortados em forma de oito com o fito de simbolizar que aquela aliança era eterna e não poderia ser quebrada (“∞” - símbolo do infinito).
Menciona-se, ainda, que eram executados alguns atos que vinham simbolizar o ato da aliança firmada. Todos eles esboçando a seriedade daquele ato.
1. Cada homem entregava sua vestimenta externa ao outro, simbolizando que tudo o que pertencesse a um também pertencia ao outro;
2. Trocar espadas, arcos e outras armas indicava que cada um estava se comprometendo com a defesa do outro, colocando seu poder, como tal, à disposição do outro”.
Isso nos leva a crer, diferentemente de hoje, o quanto era valoroso uma aliança e no caso de Jônatas e Davi, caracteriza uma aliança de proteção, de segurança e de confiança.
Nos dias atuais, a palavra de um homem não tem mais valor, até mesmo porque não existe mais preocupação se o que foi firmado está sendo cumprido ou não. Pense nisso.


Victor Souza dos Santos
Pastor e Capelão
Igreja Pentecostal Unidos por Amor a Cristo

 



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